Cannabis Medicinal: Santa Catarina passa a contar com frente parlamentar para legalização

A Assembleia Legislativa de Santa Catarina passa a contar com um espaço para discutir o uso medicinal da cannabis. Foi lançada na tarde da última segunda-feira (25), em evento no Auditório Antonieta de Barros, a Frente Parlamentar  de Estudos Técnicos, Científicos e Associativos sobre Cannabis Medicinal, proposta e coordenada pelo deputado Sérgio Guimarães (União). Também integram o grupo os deputados Padre Pedro Baldissera (PT), Marcos Vieira (PSDB), Paulinha (Podemos) e Marquito (Psol).

“Canabidiol é vida, é a diminuição do sofrimento de muitas pessoas”, afirmou Sérgio Guimarães, que coordena a frente. “Está mais do que comprovado que a cannabis para fins medicinais tem benefícios para a qualidade de vida de muitas pessoas. Não podemos deixar questões políticas e ideológicas interferirem nisso.”

Uma das atribuições da frente parlamentar será colaborar com os debates sobre os três projetos de lei (PLs) que tratam da disponibilização do CBD na rede pública de saúde e estão em tramitação na Alesc. “Temos que ter uma política pública estadual voltada para essa questão. Está dando certo em outros estados. Temos que acelerar isso aqui em Santa Catarina”, completou o deputado.

Participações:

O Ministério Público, deputados, associações de cannabis, familiares e pacientes, estavam presentes no lançamento dessa frente. O deputado Caio França (PSB), autor da lei que que criou a política nacional do uso de CBD em São Paulo, parabenizou a Alesk pelo lançamento da frente e enfatizou que o projeto de lei de São Paulo foi sancionada no começo do ano, está em fase final de regulamentação.

“Estamos lutando para ter liberdade médica na prescrição e buscando cada vez mais evidências que comprovem a eficiência dos medicamentos à base de cannabis”, disse.

O evento contou com a presença de Eduardo Suplicy (PT), deputado à Assembleia Nacional do Estado de São Paulo. Ele foi diagnosticado com doença de Parkinson e usou CBD para para tratá-la. “Esse lançamento adicional fortalecerá a campanha pelo direito dos brasileiros de usar a maconha medicinal para melhorar a qualidade de vida” disse ele.

Os deputados Padre Pedro Baldissera e Marquito, participaram do lançamento dessa frente. Padre Pedro é um dos autores dos projetos sobre o tema em apreciação no Congresso de Santa Catarina. “isso não só melhorará a qualidade de vida de inúmeros pacientes, mas também poderá ser importante no meio de geração de renda para agricultura familiar” disse Padre Pedro.

Marquito defendeu que os projetos em tramitação na Alesc tratem também das associações canábicas, que apoiam as famílias que utilizam o medicamento, além do uso na rede de atenção psicossocial e como prática integrativa complementar (PIC). “Temos que alertar a sociedade sobre um erro a partir de uma visão racista, que foi proibir uma planta importante para a saúde.”

Depoimentos:

O evento de lançamento da frente contou com a palestra do cirurgião oncológico Leandro Ramires, de São Paulo. Ele prescreve desde 2014 cannabis para fins medicinais e produz a planta para seu filho Benício, de 15 anos, que tem a síndrome de Drevet.

“Meu filho foi internado 14 vezes em UTI, passou por 48 internações, tomava 25 comprimidos por dia, e ainda assim convulsionava 60 vezes por dia”, disse o médico. “Desde que ele passou a usar a cannabis, isso não acontece mais. Por que só eu tenho esse direito? Por que não toda a sociedade? Esse é um direito pelo qual luto para todas as famílias brasileiras.”

Ramires considera que Santa Catarina pode colaborar muito com a disseminação do uso do canabidiol. “O Estado não atende essas pessoas, muitas delas com doenças degenerativas de grande repercussão econômica. A cannabis é um investimento na qualidade da saúde de muita gente que está desalentada e pode ter sua vida transformada”, afirmou.

Representantes de associações canábicas e de familiares de pacientes que usam a substância se manifestaram durante o evento. Usuários e presidentes de associações relataram as dificuldades para lidar com o canabidiol, que vão desde ameaças de prisão até problemas com a Justiça, e destacaram os benefícios da medicação.

Janaína Carla Correia é mãe do Gabriel, de 18 anos, portador da síndrome de Drevet, que usa o CBD há quatro anos. Há um mês, por uma questão judicial, está sem receber o medicamento. “Com o CBD, ele evoluiu 100%. Antes, ele era sempre internado, tinha 37 crises por dia”, relatou.

Fonte: Portal Cannabis Medicinal

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