Atualizações da Anvisa sobre Cannabis Medicinal.

Texto ainda será analisado pelo colegiado da agência nesta semana e precisa ser publicado até 31 de março para cumprir decisão do STJ, que determinou regras para todas as etapas da cadeia da cannabis medicinal no país, leia mais em: Regulamentação da Cannabis Medicinal.

A proposta estabelece regras claras para toda a cadeia produtiva, desde o cultivo da Cannabis até a pesquisa e a fabricação dos medicamentos. A produção será permitida exclusivamente para fins medicinais e farmacêuticos, restrita a pessoas jurídicas e sob fiscalização direta da Anvisa. Cada empresa só poderá produzir a quantidade necessária para atender medicamentos previamente autorizados, evitando excessos e garantindo controle.

Regras da proposta:

  • Anvisa autoriza produção exclusivamente para fins medicinais e farmacêuticos
  • Restrição a pessoas jurídicas, com fiscalização individual por estabelecimento
  • Cultivo limitado à quantidade necessária para atender medicamentos previamente autorizados
  • Teor de THC igual ou inferior a 0,3%
  • Áreas de cultivo georreferenciadas, monitoradas e fotografadas
  • Inspeção de todos os lotes produzidos
  • Transporte com apoio da Polícia Rodoviária Federal

O crescimento do mercado brasileiro de cannabis medicinal reflete uma combinação de maior conscientização médica, ampliação do acesso regulatório e aumento da oferta de produtos. Em 2024, o setor movimentou R$ 853 milhões, com alta de 22% em relação a 2023, acompanhada por um salto no número de pacientes, que chegou a mais de 672 mil pessoas em tratamento. Esse avanço está diretamente ligado à maior diversidade de formulações disponíveis — como óleos, cápsulas, sprays e tópicos — e à entrada de novos produtos, muitos deles importados, o que ampliou as possibilidades terapêuticas e contribuiu para a consolidação da cannabis medicinal como uma alternativa real e cada vez mais presente no cuidado à saúde no Brasil.

🧪 Ciência vs. Estigma

É fundamental diferenciar: o uso medicinal não envolve fumo. Trata-se de extratos laboratoriais (CBD e THC) usados no tratamento de epilepsia, sequelas de AVC e dores crônicas, com eficácia comprovada por instituições como a USP.

O que vem a seguir?

Redução drástica de preços

Hoje, o alto custo ocorre porque a maioria dos produtos é importada ou produzida com matéria-prima vinda de fora, o que envolve fretes caros e variação cambial. Com o cultivo e produção em solo brasileiro:

  • Custo de produção: Cai significativamente ao eliminar a logística internacional.
  • Competitividade: Mais empresas nacionais no setor forçam a queda dos preços nas farmácias.

Acesso Democrático pelo SUS

A decisão do STJ e a norma da Anvisa dão a segurança jurídica que os governos precisavam.

  • Padronização: Com regras claras de produção, o Estado pode comprar medicamentos em larga escala.
  • Distribuição gratuita: Estados como São Paulo já iniciaram a distribuição, mas a produção nacional facilitará que o Ministério da Saúde inclua o canabidiol na lista nacional (Rename), tornando o acesso universal.

A reunião desta quarta-feira na Anvisa define os detalhes técnicos (como a segurança das estufas e os protocolos de inspeção). Se o prazo de 31 de março for cumprido, o Brasil deixa de ser apenas um mercado consumidor para se tornar um polo produtor, podendo inclusive exportar tecnologia e extratos no futuro.


Fonte: Anvisa apresenta proposta para regulamentar produção de cannabis medicinal no Brasil


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