Idosos americanos aderem à cannabis

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Em 2021, mais de 7% dos americanos acima de 65 anos estavam consumindo cannabis. Em 2012, era apenas 1,4%.

Christine O’Hagan vai completar 84 anos em novembro. Há três meses, ela incluiu uma nova rotina ao seu dia a dia: toda noite, chupa meia bala de cannabis. Às vezes, quando não está conseguindo dormir por causa das dores no corpo, toma a outra metade no meio da madrugada. Christine tem câncer no pulmão, que está controlado, mas as dores não a deixavam dormir até que aderiu à marijuana. Quem a introduziu ao mundo das gummies, as balinhas feitas com cannabis, foi um de seus três filhos e uma amiga próxima, de idade similar, que resolveu assim uma insônia crônica. Christine e a amiga são parte de uma crescente onda de americanos com mais de 65 anos que estão consumindo derivados de maconha de forma recreacional ou medicinal.

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Dados coletados na Pesquisa Nacional sobre Uso de Drogas e Saúde (National Survey of Drug Use and Health), realizada pelo governo dos Estados Unidos, mostram que, em 2021, mais de 7% dos americanos acima de 65 anos estavam consumindo maconha. Em 2012, era apenas 1,4%. Em entrevista para a American Medical Association (AMA), a professora Alison Moore, chefe das áreas de geriatria, gerontologia e cuidados paliativos da Universidade da Califórnia em San Diego, destaca três razões para isso. A primeira é a legalização (a maconha permanece proibida ao nível federal, mas a versão medicinal é legal em 38 estados americanos e a recreacional, em 23; no Canadá, está liberada).

As outras duas razões seriam o fato de os idosos de hoje fazerem parte da geração Baby Boomer, que, segundo a professora, “é mais permissiva em relação ao uso de substâncias”. E o terceiro motivo, que Alison Moore considera o mais importante, é que as pessoas mais velhas estão usando cannabis para tratar sintomas que os medicamentos convencionais não estão conseguindo. Como é o caso de Christine O’Hagan e de sua amiga. “Como diz o meu filho, (a gummie) faz com que você não se importe com nada. Então, se você sente muita dor, simplesmente não se importa tanto com isso”, me disse Christine, numa entrevista por Zoom, há duas semanas.

No dia anterior à nossa conversa, Christine dirigiu sozinha até a loja de maconha mais perto da sua casa, em Oakhurst, pequena cidade de 4 mil habitantes no estado de New Jersey. Pela primeira vez, carregava com ela um cartão emitido pelo governo local que lhe permitia comprar cannabis medicinal – antes, sem o cartão, ela consumia a recreativa. Para obter o cartão, Christine passou por uma consulta com uma enfermeira especializada em psiquiatria, que a liberou para o uso e enviou seus dados para o governo. A principal vantagem do cartão, segundo ela, é não precisar esperar na fila para ser atendida e ter 20% de desconto na primeira compra.

A Cannabis Regulatory Commission, comissão que regula o consumo de maconha em New Jersey, informa que, em meados de setembro, havia no estado 98.066 pacientes consumindo a forma medicinal da droga, de todas as idades. Não há informação sobre o perfil dos idosos, mas um outro estudo de abrangência nacional, publicado em 2020 no Jama Internal Medicine, informa que entre os 65+ americanos que estão consumindo cannabis, os mais comuns são as mulheres e as pessoas brancas e casadas. As principais causas são dores, insônia e perda de apetite, mas há quem tome para doença de Alzheimer, Mal de Parkinson e Esclerose Múltipla.

Christine me mostra a embalagem comprada em sua visita à loja, um pote plástico com apenas 10 unidades – ela não quis comprar uma quantidade maior porque quer testar outros sabores nas próximas compras. “É como chupar um doce, não é nada demais. Este tem gosto de laranja, mas quero testar outros sabores.” Eu quis saber se ela já havia experimentado maconha antes. Ela me conta que, uma vez, quando já era casada e com filhos, seu pai voltou de uma viagem a Nova York com dois baseados. Ela e o marido compartilharam um deles. “Não é comum um pai fazer isso, mas ele fez. E nós experimentamos, mas naquela época eu não senti nada.”

Fonte: Época Negócios

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